Sítio 2051

Casé Arquitetura + Dimitri Buriti

Localizado no Vale das Videiras, o Sítio 2051 foi concebido como uma casa integrada à paisagem. Desenvolvido para clientes profundamente envolvidos em todas as etapas do projeto, o sítio nasce de uma reverência à arquitetura avistada nas casas nordestinas dos interiores, materializada em amplas varandas que ligam quase todos os cômodos e nas tradicionais platibandas, escolhidas por seu formato simples e despretensioso, tudo isso marcado pelo uso de materiais naturais, elementos de reuso e uma forte relação com o entorno.

A casa se desenvolve longitudinalmente sobre o terreno, acompanhada por uma ampla varanda voltada para o verde. Desde o início do projeto, uma das premissas fundamentais foi a incorporação direta das fachadas inspiradas nos interiores nordestinos: um dado certo que determinou a identidade da obra. A partir desse formato escolhido, a cobertura em duas águas surge como um desdobramento natural e obrigatório, estendendo-se até a varanda e revelando as belas tesouras em madeira de eucalipto que estruturam o espaço. A escolha da cor amarelo-ouro coroa essa reverência, conferindo forte identidade ao conjunto em meio à vegetação do vale.

Em um ponto de destaque do terreno, uma escultura do artista André Lasmar estabelece diálogo direto com a paisagem. Já na chegada, a porta principal, cuidadosamente desenhada pelos arquitetos, preserva as marcas e imperfeições originais da peroba rosa. O eixo visual criado a partir dela atravessa a casa em direção à natureza do vale, ampliando a sensação de transparência e conexão com o exterior.

Um pergolado de vidro marca a entrada principal, enquanto um ripado de eucalipto delimita de forma sutil a área de ducha externa. Ainda no acesso, um mosaico de pratos e louças, também delicadamente exposto por André Lasmar, introduz a atmosfera afetiva presente em todo o projeto.

Na área social, a casa se organiza em ambientes integrados e acolhedores. Uma lareira desenhada em conjunto com os clientes estrutura o espaço de estar através de nichos destinados à lenha, objetos decorativos e a uma coleção de banquinhos. Os tijolos de demolição utilizados nas fachadas foram mantidos aparentes também no interior, reforçando a rusticidade e a materialidade da construção. Pisos, portas e esquadrias em madeira de demolição ampliam essa continuidade, enquanto o mobiliário e os objetos reunidos ao longo dos anos compõem ambientes cheios de camadas, memória e personalidade.

A cozinha e os banheiros compartilham o mesmo ladrilho hidráulico verde, escolhido como elemento de unidade visual entre as áreas molhadas. Na cozinha, o frontão foi executado com peças de mármore reutilizadas, reforçando a proposta de reaproveitamento presente em toda a residência. Em uma seção da cobertura, lanternins permitem iluminação zenital e ventilação natural para os banheiros, contribuindo para o desempenho térmico da casa.

Nos dormitórios, armários de alvenaria reforçam a simplicidade construtiva e a durabilidade dos materiais. Ao longo de toda a fachada principal, a varanda funciona como espaço de convivência e contemplação, onde longas peças de eucalipto emolduram a exuberante paisagem montanhosa do Vale das Videiras.